[Filme] J. Edgar

Uma pessoa apaixonada por história como eu não poderia deixar de ver o filme J. Edgar. Simplesmente porque o filme narra o surgimento da maior força policial do mundo, o FBI.

John Edgar formou-se em direito aos 22 anos e trabalhou por 2 anos na Biblioteca do Congresso Americano. Assim que se formou John conseguiu um emprego no Departamento de Justiça sendo indicado para investigar e solucionar os crimes cometidos por imigrantes comunistas, resultando na expulsão de milhares de pessoas do país. Devido ao seu sucesso, John foi mais tarde convidado ao cargo de subdiretor do FBI e logo em seguida à assumir a diretoria do departamento, onde ficou por 48 anos.

Essa é uma versão resumida. O que surpreende mesmo é como um garoto de 22 anos tinha pulso firme e uma visão ampliada do que era preciso ser feito para solucionar os crimes cometidos em uma época em que não havia provas de nada, somente as deduções. No começo John não tem mandado para atuar em outros estados, as polícias locais não respeitam a organização, o que força uma mexida na lei com a intenção justamente de dar à John e seus comandados a abrangência nacional e uma atuação adequada.

Mas é somente com o caso de Charles Lindberg que John começa as mudanças dentro do departamento. Charles Lindberg Jr. foi sequestrado em 1932 e apesar da descrença dos policiais locais, John pediu para assumir a investigação paralelamente. Além da insitência em criar um banco de dados de digitais, John começa a criar laboratórios forenses, alguns deles em salas antes ocupadas por agentes. É bacana ver esse surgimento, onde cientistas e especialistas em diversos setores começam a ter seus trabalhos levados a sério. Claro que ainda muito longe de ser um CSI, o departamento gasta muito dinheiro público e leva cerca de 3 anos para solucionar o sequestro – e morte – de Charles Lindberg Jr, mas até aí, os laboratórios forenses já ganharam credibilidade.

Mas não pense que o filme seja só feito de ações policiais, até porque delas mesmo só existem alguns takes. O que temos são 2h30min de história contada em 3 aspectos diferentes: o surgimento do FBI como contado acima, o acúmulo de informações que J.Edgar obteve ao longo dos anos e sua homosexualidade não assumida até sua morte.

John era temido pelas autoridades, incluindo os 8 presidentes que passaram pela Casa Branca enquanto Edgar esteve no comando do FBI. O filme mostra claramente que John possuía segredos que poderiam levar os chefes de estado a deixarem o cargo, desde corrupção até a casos de adultério. Sua última ordem como diretor é que seus arquivos devem ser destruídos. Por outro lado, temos a amizade mais que colorida com Clyde Tolson. Os dois passaram a vida sempre juntos, desde a caçada aos gângsters até os passeios e jantares.

DiCaprio compõe Edgar como um homem ambíguo: por um lado, seguro de si em sua missão de defender o país de toda sorte de ameaças e interessado no bem comum; e, por outro, inseguro com relação à própria sexualidade e preocupado com as aparências não por simples vaidade, mas por julgar-se incapaz de se colocar em posição superior apenas pelo tom de voz ou pelo cargo que ocupa.

No mais, só posso acrescentar que temos 3 modos de enxergar o filme e todas elas são de extremo bom gosto em sua concepção e estrutura. A fotografia e escolha dos tons (sempre pasteis) dão um toque retrô e as atuações brilhantes e linha do tempo perfeitas não deixam o filme ficar cansativo. Gostaria de ver pelo menos indicações ao Oscar nas categorias técnicas!

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