[Livro] Resenha: “De amor e maldade”, de Anne Rice

Livro: De amor e maldade
Série: As canções do Serafim
Autor: Anne Rice
Editora: Rocco
Páginas:174
Resenhado por: Patoka
Compre: Saraiva

Depois de ser enviado à Inglaterra do século XIII em Tempo dos anjos, dessa vez, o rapaz volta à Roma do século XV. Uma cidade efervescente que tem Leo X no trono papal e Michelangelo e Rafael trabalhando em toda sua glória, e onde Toby atende ao chamado de Vitale ben Leone, um jovem erudito e médico judeu encarregado de salvar a vida de Niccolò, seu melhor amigo e filho do respeitado Signore Antonio. Niccolòadoeceu subitamente, e seu estado se agrava a cada nova visita de Vitale, o que desperta na população majoritariamente católica uma onda de antissemitismo e ameaça acabar com a frágil tolerância religiosa estabelecida pelo papa. Cabe ao protagonista ajudar não só na cura do doente como, também, solucionar o mistério de um dubbyk – um fantasma – que assombra a residência do médico. Enquanto tenta cumprir sua tarefa e evitar que a fúria da intolerância se abata sobre a comunidade judaica romana, Toby se vê assediado por um enviado das forças do Mal, Ankanoc, determinado a abalar sua crença no Senhor. À fé para resistir a mais essa provação junta-se à imensa vontade que o ex-assassino tem de se devotar ao Bem, conseguir o perdão de seus pecados e encontrar uma maneira de viver com Leona, uma antiga paixão de adolescência e o filho deles, também chamado Toby, cuja existência o jovem desconhecia. Os profundos sentimentos pela moça e o garoto e a certeza do amor divino dão a Toby a força interior que ele precisa para continuar na trilha da absolvição.

Anne Rice mais uma vez me surpreende. Quando peguei o livro nas mãos pela primeira vez, imaginei que seria raso e pouco explorado, já que contém apenas 174 páginas e os últimos livros que lí com essa quantidade de páginas me pareceram incompletos. Mas bom … não eram a Anne Rice.

Antes de tudo, devo dizer que Anne não é minha autora preferida e não estou aqui puxando saco de ninguém, mas o poder de construir uma história com tantos detalhes em pouco tempo é um poder de síntese de dar inveja! Mas vamos ao que interessa: o livro.

Como aconteceu em Tempo dos anjos, Toby têm a missão de voltar ao passado para consertar atos injustos e mais que tudo, confortar aqueles que pedem uma intervenção divina. O tempo escolhido é Roma do século XV, época de pouca tolerância religiosa para com os judeus. E é exatamente Vitalle, um médico judeu, que pede ajuda a Deus em suas orações para que seu paciente e amigo melhore do mal súbito que o aflige. Toby, além de assassino cruel no passado, também era um estudioso histórico e por isso seu comportamento e fala elegante cabem tão bem à epoca, podendo assim cumprir sua missão sem chamar tanta atenção. Ao chegar na casa onde Vitalle trata seu amigo, Toby descobre que nada é tão simples como uma doença ainda não descoberta, e sim uma grande conspiração que envolve toda uma família de prestígio, seus segredos e um acontecimento do passado.

Sem precisar introduzir o protagonista e contar sua história, De amor e maldade ganha ritmo e ao mesmo tempo uma narrativa com leveza. Toby, depois de sua primeira missão sob às ordens do anjo Malchiah, possui uma calma e certeza do mundo ao seu redor que acredito que somente os que têm a fé inquestionável dele possuem. E as vezes isso me incomodou. Não sou uma pessoa religiosa. Acredito no bem e no mal. Acredito em Deus. Mas Toby vai além. Ele expressa seu amor por Ele de uma maneira quase fanática. Chora e clama para que Ele não o abandone com tanto fervor que assusta. Achei exagerado e não consegui deixar de comparar com aqueles crentes que ficam pregando a palavra de Deus em pontos de ônibus, como se a única salvação para nós fosse viver como cordeiros obedientes. Senti como se Anne Rice quisesse me converter.

E onde tem Deus e fé, também tem Lúficer e suas tentações. Nesse volume, a autora coloca a fé de Toby à prova. O induz a cometer erros, pecados e alguns pensamentos impuros. Singelamente, com música, bebidas e comida, um dos demônios à mando do Diabo, é introduzido na história e o leitor se obriga a notar que as vezes basta uma vontade incontrolável de comer ou beber algo pode nos desviar do caminho e das missões divinas. Lógico que isso foi uma metáfora, mas o recado foi dado. E ao que parece, teremos mais provações no terceiro volume, que ainda não foi lançado nem os Estados Unidos.

Para finalizar, enfatizo que Anne Rice tem uma forma muito peculiar de escrever e contar histórias. É nítida a intenção de deixar real que Deus e seus anjos existem. Que às vezes algo ou alguém bom que entrou em sua vida foi mandado por Ele e que nossas ações refletem na história de vida de cada um, diferentemente de todos os livros sobretaurais que estamos acustumados a ler, que nos apresentam criaturas que sabemos que são imaginárias assim que fechamos o livro. A fé pode ser contagiosa!

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